PIX: ameaça ou oportunidade? Aderir ou não aderir? Decida até 1º de junho de 2020!
Por: fabiano.costa@matera.com
Os participantes facultativos do PIX têm mais uma data no calendário para ficar de olho. O Banco Central, por meio da Carta Circular nº 4.022, definiu o dia 1 de junho de 2020como prazo máximo para adesão ao arranjo de pagamentos instantâneos (PIX) e ao Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) para fins de participação na etapa de homologação, que começa em junho. As instituições que perderem essa janela poderão enviar a solicitação de cadastramento somente a partir de 1 de dezembro de 2020.
Por FABIANO AMARO
A premissa a ser levada em conta é muito simples: a partir de novembro de 2020, data de lançamento do PIX, todas as contas transacionais, de pessoas físicas ou jurídicas, estarão conectadas entre si numa espécie de "Internet das Contas", 24x7x365, com custo de transação bem mais baixo que os meios convencionais de pagamentos. Além disso, estima-se que, pelos critérios de obrigatoriedade, cerca de 30 instituições do país deverão participar do PIX já a partir do lançamento, e tais instituições concentram cerca de 90% das contas transacionais do país.
Com isso, a curva de adoção do PIX deve ser acelerada, seja pelo volume de contas que estarão habilitadas, seja pela organização, definição de marca e guidelines de experiência do usuário que o BC vem construindo muito bem, ou mesmo pelas inovações em pagamentos e recebimentos propostas por fintechs, já que estarão em pé de igualdade com bancos, do ponto de vista de interoperabilidade e instantaneidade.
O boleto vai ser afetado? A TED vai continuar em uso? Vou poder pagar fornecedores via PIX? Cartões de débito vão perder força? E as maquininhas? E-commerces passarão a receber através de QR Codes PIX ao invés de boletos? As fintechs de crédito vão propor novos modelos de crédito instantâneo em carteira digital, sem plástico e sem adquirentes? As contas de utilities (água, luz, telefone) poderão ser pagas via PIX por qualquer conta transacional, sem necessidade de convênios?
Essas são dúvidas que ouço todos os dias e, por sentir a frequência delas, digo que ocorrerão mais cedo ou mais tarde. A questão é: ficar fora dessa primeira janela de adesão ao PIX, pelos participantes facultativos, pode significar assistir de "mãos atadas" modelos como esses surgirem em outras instituições, gerando novas receitas, "matando" produtos antiquados do mercado ou mesmo agregando valor à sua cadeia de serviços e produtos.
O período de "jejum" das instituições facultativas que resolverem ficar fora do PIX pode durar de 6 a 10 meses, visto que novas adesões serão permitidas apenas a partir de dezembro de 2020, e que se faz necessário todo o setup tecnológico e de homologação junto ao BC, para então ter um "Go Live!" no PIX. Nesse período, quantas cadeias podem se tornar valiosas? Quantas outras baseadas em produtos menos interessantes que o PIX podem perder expressividade?
Se você é um grande grupo financeiro, possui operações de pagamentos e recebimentos, atua com cadeia de distribuição ou mesmo já possui uma quantidade considerável de contas transacionais, ficar fora é sim uma opção. Mas uma opção muito arriscada. Entenda o PIX como um novo método de pagamento, mais eficiente, com menos intermediários e com menor custo, que fará o dinheiro fluir mais livremente entre contas, aumentando, e muito, nosso ambiente competitivo.
Se você ainda não está convencido, leve em conta a premissa inicial: você tem a opção de estar junto às cerca de 30 instituições que farão parte do lançamento do PIX, exercitando sua estrutura tecnológica, modelos de negócio, canais, relacionamento e participação no ecossistema, de modo a gerar valor e aprendizado para sua cadeia, algo que, em questão de meses, pode impactar expressivamente o seu modelo de negócio.